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Instituto da USP guarda corpos em baldes

FOLHA ONLINE - O ICB (Instituto de Ciências Biomédicas da USP), um dos maiores da universidade, com dez mil matrículas, armazena cadáveres em caixas-d'água ou baldes. A informação é da reportagem de Fábio Takahashi, publicada na edição desta segunda-feira da Folha (íntegra somente para assinantes do jornal ou do UOL). O instituto, que responsável pelas aulas básicas dos cursos de saúde, como medicina e odontologia, também sofre com a falta de corpos para estudo. Além disso, denúncias apontam que há descarte de substância tóxica na rede pública de esgoto. As condições da escola provocam críticas de alunos e docentes --e viraram objeto de investigação do Ministério Público. Os dirigentes do instituto afirmam que não há problemas pedagógicos. E a forma de conservação de cadáveres, dizem, "é normal" nas escolas médicas. Como a USP não participa de avaliações federais, não é possível comparar a qualidade dos seus cursos com os demais. Corações humanos usados nas aulas de anatomia são armazenados em baldes. FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u732652.shtml

Marcelo Tas, âncora do CQC, considera 'sofrível' a educação brasileira

CORREIO BRASILIENSE - Isabel Vilela - "O Brasil ainda é medíocre na produção de conhecimento, de qualquer coisa que exija o cérebro" Ele ficou conhecido como o ingênuo repórter Ernesto Varela, em programas exibidos no SBT e na Globo, ainda na década de 80, quando acabava de terminar a faculdade de engenharia. Depois, conquistou a criançada com o professor Tibúrcio, do Rá Tim Bum, e o Telekid — do famoso "porque sim não é resposta" —, na continuação do programa, o Castelo Rá Tim Bum. Na década de 90, participou da criação do Telecurso 2000, programa educativo exibido pela TV Globo. Com essa trajetória, Marcelo Tas, que é também uma das grandes personalidades do humor e do jornalismo no Brasil, acabou ligando seu nome à educação e, hoje, além de comandar o programa CQC, na Band, e colecionar seguidores no Twitter, é referência para instituições de ensino que querem utilizar a comunicação de forma inovadora. Em passagem por Brasília para uma palestra para professores, estudantes e dirigentes de faculdades, na Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), Marcelo Tas conversou com o Eu,estudante. Na entrevista exclusiva, Tas fala sobre a qualidade da educação no país, a dificuldade que professores e escolas enfrentam para acompanhar as atuais mudanças na forma de comunicação, a falta de engajamento político dos jovens e o diploma para jornalistas. Sua vida profissional, de uma forma ou de outra, sempre esteve relacionada à educação. Como começou o direcionamento da sua carreira para essa área? Na minha vida pessoal, começou no meu nascimento mesmo, porque meu pai e minha mãe são professores. Educadores mesmo, de escola pública, inclusive, no interior do Brasil, lá em Ituverava, interior de São Paulo. Então, dentro de casa, eu já tive uma ligação muito grande com a educação. Mas, profissionalmente, eu creio que a minha entrada se deu mais forte mesmo, de maneira mais prática, no Rá Tim Bum, quando fui convidado a ajudar a criar o projeto do programa, em 1989. Eu convivia com consultores pedagógicos, professores, educadores, que controlavam e nos davam um embasamento para criar os programas de televisão. E isso foi um aprendizado muito importante, cheio de conflitos e de histórias, que veio depois, ao longo da minha vida inteira. Eu quase me especializei na convivência com consultores pedagógicos; hoje eu vivo cercado de professores, dou muitas palestras, sou consultor de algumas instituições de educação e de algumas empresas. A minha vida mais pública é muito relacionada a humor, jornalismo, televisão. E a minha vida profissional, já há uns 20 anos, é muito ligada à educação. Além da criação do Rá Tim Bum, você também participou do Castelo Rá Tim Bum e do Telecurso 2000, projeto que está no ar há cerca de 15 anos. Porque você acha que essas aulas na televisão fizeram tanto sucesso? É só olhar para o Brasil. As dimensões do Brasil pedem um sistema de educação a distância e por isso ele é hoje um dos países que mais desenvolveram essa modalidade de ensino. Pelo tamanho e também pela diferença econômica entre as regiões. Os Estados Unidos não têm uma educação a distância assim tão desenvolvida porque existe um equilíbrio nas regiões. Além do Brasil, o México e a Austrália, países onde há um desequilíbrio entre as regiões, contam com essa modalidade de ensino desenvolvido. Aí, uma série de instituições e empresas foram desenvolvendo essas ferramentas. A Globo desenvolveu o Telecurso há muito tempo, nas décadas de 70, 80. Eles me convidaram em 95 pra reformular o programa para essa nova era, para essa comunicação mais direta, mais misturada, que a televisão já estava vivendo na década de 90. E aí, a gente trouxe muito de uma linguagem cinematográfica, linguagem de animação, de games. Fomos pioneiros em muitas coisas. Essa é uma experiência bem-sucedida de diálogo entre as mídias com a educação. E a escola formal? Caminha no sentido de encontrar esse canal de diálogo com as novas tecnologias? Não. Nem a escola, nem as empresas, nem os jornais, nem as revistas, ninguém está preparado. E é bom a gente falar isso porque o primeiro passo pra gente começar a andar é reconhecer o nosso estágio. E ninguém precisa ficar envergonhado de estar defasado. Pelo contrário, eu costumo dizer que uma pessoa que se sente defasada está muito bem informada sobre o que está acontecendo. Tem gente que não se sente, e esse é o pior caso, porque na hora que perceber, já pode ser muito tarde. As escolas, como todas as outras instituições, estão correndo atrás de uma transformação muito gigantesca. Porque não é mais uma mudança de método, uma mudança de velocidade, não é isso. É uma mudança de estado, igual quando a água muda para vapor ou para gelo; é um outro estado que a gente vive hoje, onde a comunicação ocorre em todas as direções. E qual é a grande diferença? Quando eu fui educado, a comunicação era em uma direção, era do professor para mim. Eu ficava lá, sentado, na aula de história, e meu professor despejava o conteúdo na lousa. Eu dava um "cut paste" na lousa, naquela época é que eu fazia o "cut paste", eu ficava copiando o que o professor de história escrevia no quadro. Tem gente que acha que hoje é que é a era do "cut paste", mas esse é outro equívoco da escola. Hoje, é muito mais fácil fazer o "cut paste" sim, claro, mas por isso mesmo, talvez seja a hora de as escolas desempenharem a função primordial, que é ajudar o aluno a se locomover no meio dessa gigantesca massa de informação, para produzir conhecimento, sabedoria, alegria, entendimento. É essa a tarefa principal do educador hoje. E não só do educador — eu acredito — mas também dos líderes empresariais, dos jornalistas. A gente tem que ajudar no discernimento dessa massa. E o que falta para isso? Um bom começo é a gente lutar contra o preconceito. O preconceito é o medo da mudança, é não querer sair da sua região de conforto. Todos nós temos que lutar contra isso, e eu estou me incluindo aí dentro. O jornalista que não quer dar o braço a torcer de que o leitor de hoje pode saber mais do que ele ou pode saber antes dele, por exemplo. No caso do aluno é a mesma coisa. O aluno tem muito acesso a informação antes de chegar na sala de aula. Então, é importante que o professor tenha humildade pra ouvir esse aluno, trabalhar junto, aprender com ele. Ás vezes, é muito difícil pra um professor querer aprender. São tarefas muito árduas mesmo, mas ao mesmo tempo é uma oportunidade maravilhosa para mudar o jeito de fazer as coisas. No CQC, por exemplo, a gente muda muito o programa por causa de crítica que a gente recebe do espectador. No início, percebemos rapidamente que tinha muita criança assistindo o programa e a gente falava muito palavrão e começamos a mudar esse comportamento, porque a gente soube ouvir a rede. E eu acredito que isso nos ajudou bastante. Por falar nisso, como é fazer humor para um público tão diversificado, que inclui até crianças? O público mais difícil que tem são as crianças. Se você consegue falar com elas, consegue falar com todo mundo. Porque os adultos são muito bobinhos, não é muito difícil você agradar um adulto, mas quando você percebe que tem criança no meio, a comunicação tem que ser clara, inteligente, porque senão elas não ficam. Criança não aguenta ninguém enrolando, ela muda de canal. Por isso, tem que respeitar a inteligência dela. Basicamente é isso. Agora, é uma baita de uma responsabilidade, porque o programa é de humor mesmo, às vezes um humor muito anárquico, e a gente corre muito o risco sempre, mas essa a nossa missão. Você disse em seu blog que seu próximo passo é escrever um livro para esse público. Como anda esse projeto? E como é voltar a apresentarum programa para crianças, com o Plantão do Tas? O projeto do livro é um bebê ainda, nem foi fecundado. Tá bem no comecinho, estou começando a fazer os primeiros desenhos. E eu já escrevi muito pra criança, em televisão. No Rá Tim Bum e no Castelo eu escrevia os textos. Já no Plantão do Tas, eu fiz uma consultoria de criação, quem coordenou os roteiros foi o Alex Baldin, que é o roteirista do CQC e um antigo parceiro meu. Já gravamos todos os episódios e agora o pessoal quer fazer uma série nova. A resposta do público tem sido muito legal, muito mesmo, tanto das crianças quanto dos pais. Voltando a falar da educação brasileira. Como você avalia a qualidade do ensino no país? Sofrível, triste. E eu não estou falando do governo atual, estou falando dos últimos 20 anos. O Brasil até hoje não levou a educação a sério. Tem uma ou outra ação que a gente pode aplaudir, mas nada como um planejamento estratégico, que atinja uma sociedade tão grande como a brasileira. Por isso que a educação no Brasil ainda é muito ruim. Ninguém pensou a educação de uma forma estratégica, no sentido de isso ser bom para a economia, para a saúde, a estabilidade emocional, financeira, para a felicidade, para tudo. O Brasil ainda é medíocre na produção de conhecimento, de bens de criação, até de programas de TV, filmes, documentários, de qualquer coisa que exija o cérebro. Nós somos muito, muito, muito medíocres, infelizmente. É uma coisa que a gente tem que reconhecer. As universidades brasileiras, por exemplo, têm muito o narizinho empinado, mas se articulam muito pouco, investem às vezes de uma maneira atabalhoada os recursos, desperdiçam muita grana. Infelizmente a situação no Brasil ainda é essa. Têm exceções, claro, mas qualquer ação que a gente comece agora vai resultar daqui a 50 anos, mas ninguém tem paciência para daqui a 50 anos. Em ano eleitoral, você acha que os jovens estão preparados para escolher seus representantes e tentar mudar esse quadro? Eu percebo uma desatenção, um descontentamento do jovem, que é proporcional à picaretagem dos governantes, dos políticos. Ou seja, a gente não pode recriminar o jovem por não estar ligado em política. Eu acho até muito saudável essa geração não ficar com atenção na política, porque essa política não merece atenção. Nós estamos diante de tempos bastante diferentes, porque, antigamente, você ser engajado politicamente era uma grande virtude. E daí? Os engajados politicamente são esses caras que se meteram em todos estes últimos escândalos, que, aliás, até hoje não foram reconhecidos, foram pegos com a mão na grana e até hoje estão aí posando para as câmeras, muito ofendidos, inclusive, botando a culpa na imprensa. Ou seja, é uma vergonha. A esquerda brasileira é uma vergonha. E a direita também. Quer dizer, o Brasil, independentemente de quem está no poder, graças a Deus. E eu torço pra que agora a gente chegue em uma época que a política tenha o seu devido tamanho, que ela não ocupe tanto o noticiário. Eu acho um absurdo a quantidade de espaço que a política ocupa no noticiário no Brasil. Primeiro, porque não vejo interesse do povo de ficar debatendo tanto política e, depois, porque é um debate de péssima qualidade. Se tivesse menos espaço com mais qualidade, talvez o jovem se interessasse mais. Para terminar, o que você pensa sobre a exigência do diploma de jornalista? A questão do diploma para mim é muito simples. O jornalista tem que ter diploma, mas não de jornalista. Eu acho que é muito limitado você pensar que o jornalista é obrigado a ter diploma de jornalista. Para mim, jornalismo não é uma profissão específica porque ela lida com uma gama de assuntos muito extensa. Então, antes de tudo, o jornalista tem que estar preparado para contar assuntos e tem que ser um bom comunicador, tem que escrever bem, tem que falar bem. Você pode ter um médico que se descubra um comunicador e queira pegar essa missão pra ele. Ele vai ter que desenvolver as suas habilidades, até fazendo um curso de jornalismo ou outros cursos, e pode virar um grande jornalista, como o Drauzio Varella, que pra mim é um grande jornalista. FONTE: http://www.correioweb.com.br/euestudante/noticias.php?id=10421

Professor não aprende a avaliar aluno, diz especialista

Apenas 1% dos cursos de graduação para professores têm matérias específicas sobre provas e avaliações nacionais, afirma Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas. "O uso de avaliações por parte de professores depende de conhecimento e não do uso 'cego',", salientou, durante palestra na feira Interdidática, ocorrida no final de abril, em São Paulo. Ela pesquisou os currículos das licenciaturas e cursos de pedagogia brasileiros por meio de dados oficiais divulgados entre 2001 e 2006. A falta de disciplinas sobre avaliação se reflete em como os docentes avaliam seus alunos. Dentre exames feitos por professores e analisados por Bernardete, a pesquisadora afirma ter encontrado "provas incoerentes, feitas 'no joelho', que não foram pensadas com nenhum referencial didático contemporâneo". Essa falta de formação --tanto para provas escolares quanto para governamentais (como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e a Prova Brasil)-- é problemática, pois os docentes "saem sem formação minima para entender as avaliações e fazer críticas fundadas", aponta. Os profissionais, de acordo com a professora, usam mais a "sensibilidade" do que conhecimentos acadêmicos para avaliar: "Não basta. Precisamos caminhar para ter processos de avaliação desenvolvidos pelo professor", diz. Na escola A pesquisadora explica que as avaliações podem alavancar mudanças no dia a dia escolar. Para isso, "é preciso saber fazer e saber ler os dados, interpretar, levantar aspectos pedagógicos, procurar soluções didáticas e mostrar possibilidades de superação de dificuldades pelos meios que dispomos nas escolas", diz. E isso "bate" na formação docente: em seu estudo, Bernardete constata ainda que, nos cursos que oferecem formação em avaliações, o conteúdo dado trata-se mais de críticas do que de base teórica para entender seu funcionamento. "Os alunos só tem crítica abstrata daquilo que nem conhecem", diz. Reformulação de currículo Para resolver o" grande desafio da educação brasileira", segundo aponta a pesquisadora, é preciso que haja uma reformulação do currículo dado nas licenciaturas --tarefa a ser feita pelo governo e pelas universidades. "Nunca tivemos uma política pública da união em relação a aprimorar a formação das licenciaturas e, hoje, estamos numa situação relativamente caótica". A docente critica a formação a distância, que exige uma alta capacidade de leitura e estudo que nem todos os estudantes têm e diz que os sindicatos deveriam cobrar a qualidade na formação em suas plataformas. Outro fator apontado é a dificuldade que os graduandos de licenciatura têm em realizar o estágio obrigatório em escolas. "Como você vai fazer estágio de 1ª a 4ª série em curso noturno? Não existe. Eles fingem que fazem estágio... a maioria não faz", conta. Para evitar isso, a pesquisadora aponta que deveria haver mais bolsas para cursos diurnos em vez de noturnos. Uso de avaliações A professora diz que a cultura de avaliações começou a ser pensada no final dos anos 80 e se consolidou nos anos 90, enquanto outros países já tinham sistemas avaliativos. Apesar de hoje estarmos além do pensamento de provas como "punição" ou "seleção", a docente diz que as escolas brasileiras ainda usam avaliações apenas como "sinalizadores". "Precisamos decifrar esses sinalizadores, isso depende de conhecer metodologicamente esses processos. Não estou dizendo de dominar firulas estatísticas, mas a lógica e seus conteúdos, que permitem interpretar esses processos para usá-los em sala de aula". 05/05/2010 - 12h33 - Ana Okada - Em São Paulo - Atualizado às 18h42 FONTE: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/05/05/professor-nao-aprende-a-avaliar-aluno-diz-especialista.jhtm

Educomunicação ganha força na sala de aula, avalia pesquisador

UOL EDUCAÇÃO - Procura-se um educomunicador - Dominar as tecnologias de informação e utilizá-las num sentido social, seja na comunidade ou na sala de aula, é a profissão do futuro, afirma o professor Ismar de Oliveira, da Usp Filipe Jahn Com a rápida evolução das novas tecnologias, a comunicação tem se tornado cada vez mais popular e o acesso à informação mais simples. Porém, isso não significa que os receptores já estejam dominando a novidade. Assim, a relação comunicação e educação é atualmente um dos principais focos de atenção dentro das instituições de ensino. É sob essa perspectiva que a educomunicação tem ganhado força. Ismar de Oliveira Soares diz que é ao mesmo tempo jornalista, professor e educomunicador. Com pós-doutorado em comunicação e educação pela Marquette University Milaukee Wisconsin, é professor da Escola de Comunicações da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da instituição, além de ocupar a vice-presidência do World Council for Media Education, com sede em Madri, Espanha. Principal responsável pela criação do novíssimo curso de licenciatura em Educomunicação da USP, que estreia em 2011, muitos estudiosos apontam Ismar como o primeiro a usar o termo no Brasil. O professor explica que o conceito da área passou por mudanças, e aponta cuidados que as universidades devem ter para não utilizá-lo de "forma inadequada". Bastante otimista ao falar do futuro da educomunicação, Ismar de Oliveira também afirma que a busca pelo profissional com formação nesse campo cresce cada vez mais no mercado e que as instituições de ensino particular têm um papel importante a desempenhar no processo, que vai além do preenchimento de vagas. Leia abaixo a entrevista concedida à revista Ensino Superior: Ensino Superior - Como se define o conceito de educomunicação? Em primeiro lugar, é importante entender que ao longo dos anos houve uma mudança no conceito. Até o início da década de 1990 a Unesco identificava a educomunicação como todo trabalho de educar para a mídia e formar um receptor crítico. Atualmente, ela significa apoderar-se dos recursos tecnológicos e praticar a comunicação a partir de uma igualdade de condições pelas quais comunidades se envolvem para construir espaços democráticos, participativos. Uma realidade na qual a comunicação é utilizada para exercer a cidadania com uma intenção educativa, mas também se preocupando com o mercado. Em outras palavras, a educomunicação desenvolve e implementa meios comunicativos em espaços educativos regidos por uma gestão democrática. Ensino Superior - Ela é uma profissão do século 21? Qual o perfil do seu profissional? Sem dúvida. Há 20 anos o educomunicador era considerado alguém que realizava uma ação voluntária, um bom comunicador interessado na comunidade. Porém, com a mudança de conceito e os trabalhos que foram sendo desenvolvidos na área, o profissional da educomunicação passou a ser reconhecido. É alguém que domina as tecnologias de informação, mas que empresta a elas todo um sentido social, participativo, com uma fundamentação humanista forte. Posso citar como exemplo a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, que tem normas publicadas para o desenvolvimento da educomunicação nas escolas públicas. São professores que se convertem em educomunicadores, ou seja, temos aí uma ação profissional. Ensino Superior - Muitos entendem o educomunicador antes como um professor que utiliza as mídias para as práticas pedagógicas. O senhor concorda? O educomunicador não é necessariamente um professor. É claro que um docente pode ser um educomunicador, mas tanto quanto um jornalista ou um publicitário podem ser também. Não basta apenas usar a mídia em sala de aula, isso não significa uma ação educomunicativa. Tal ação só existe quando um espaço comunicativo é criado e os alunos compartilham a produção do conhecimento. O professor educomunicador, no ambiente escolar, dá autonomia, permite que o aluno seja protagonista. Ensino Superior - Como usar a comunicação, segundo a educomunicação, dentro de uma instituição de ensino superior? Em qualquer instituição de ensino superior, quando se fala em comunicação, a assessoria de imprensa e os profissionais do marketing logo vêm à mente. Já uma equipe de educomunicação, no caso, auxilia a alta direção da organização a repensar suas relações com o próprio meio. É como uma assessoria especializada. Essa assessoria pode fazer uso dos instrumentos de relações públicas, publicidade e jornalismo, porém antes vai realizar um planejamento para mostrar como uma instituição pode ser orgânica. O mercado e o capital continuam sendo elementos importantes, mas que constituem, sobretudo, um espaço de diálogo e produção de cultura. Ensino Superior - O educomunicador também é um gestor? Ele é gestor por natureza. O conceito de gestão é inerente ao conceito de educomunicação. A educomunicação se divide em várias áreas de intervenção. O educomunicador planeja ações em um sistema para que a prática da educomunicação tenha sentido. Entre suas funções, esse profissional precisa sempre saber formar e orientar equipes, produzir avaliações, prever necessidades de tecnologia e sustentabilidade nos projetos em que está envolvido. Ensino Superior - As instituições de ensino superior no Brasil já estão preparadas para atender esse novo mercado? As universidades têm condições, mas hoje não estão preparadas. Sem dúvida há uma mobilização. Existem muitos cursos de especialização, surgiu também uma graduação de bacharelado na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O maior risco é utilizar o conceito de educomunicação de uma forma inadequada. No momento, o sistema educacional e o ensino superior em geral ao pensar em educomunicação pensam em TICs e tecnologia educativa, o que não é correto. É preciso também ter o cuidado para que o tema não seja usado somente dentro de uma visão mercadológica, sem a responsabilidade social inerente a essa prática. Essa é uma das grandes preocupações do novo curso da USP. Formar pessoas para atender a demanda nas universidades, e em condições de criar bons cursos nas universidades que assim desejarem. Ensino Superior - Como será esse curso de licenciatura em educomunicação da USP? Será um curso noturno, de 2.800 horas, oferecido pela Escola de Comunicações e Artes. As disciplinas pedagógicas serão cursadas na Faculdade de Educação. A primeira turma inicia as aulas em 2011. As disciplinas serão divididas em três áreas de formação: básica, específica e pedagógica. Na primeira, vamos discutir as teorias da educação, comunicação e o futuro da profissão. No campo das específicas, as aulas vão discutir leituras de mídia, gestão dos processos de comunicação, uso das tecnologias nos espaços educativos e planejamento e avaliação de processos. Já as disciplinas pedagógicas serão cursadas na Faculdade de Educação, para aproximar os alunos da prática docente. Além disso, eles terão de realizar 400 horas de trabalho em organizações, para aperfeiçoar a profissão. Ensino Superior - A abertura do curso serve para suprir uma demanda de professores no próprio curso da universidade? Qual o mercado para os professores que se especializam nessa área? O mercado inicial está voltado para a educação formal, pois existe uma carência de professores de comunicação. Com a LDB, as escolas passaram a ter uma autonomia para criar disciplinas. No entanto, a norma solicita que as instituições reservem 25% da carga horária para a área de comunicação, que deveria ser dividida entre as disciplinas de línguas e de mídias. Só que as escolas não têm adotado a prática de professores voltados para mídia porque não existe esse profissional. O nosso primeiro objetivo então é atender à demanda do ensino médio para introduzir a comunicação como está na lei. Mas temos também um atendimento imediato ao terceiro setor. As organizações não governamentais estão cada vez mais ampliando o campo de formação em trabalhos voltados para criança e mídia. E há ainda espaço nos canais de televisão e rádios educativas, além dos canais segmentados, que serão exigidos com a digitalização da televisão. Ensino Superior - O educomunicador pode atuar em empresas ou está restrito às instituições de ensino? A educomunicação está engatinhando nas empresas, mas acredito que onde existem grupos humanos pode-se pensar nela. Uma empresa preocupada em dialogar com seu entorno pode patrocinar ações de organizações que apliquem a educomunicação. É o caso da Petrobras, da Vale. E é possível o educomunicador trabalhar também dentro da empresa. A educomunicação advoga maior liberdade de expressão e as empresas podem admitir que isso aconteça em algumas áreas. Na verdade, muitas já estão se abrindo neste novo campo que cada vez mais cresce, chamado responsabilidade social. É a partir daí que as organizações começam a olhar para os seus empregados e percebem que é preciso mudar as relações. Ensino Superior - Existe uma demanda crescente para esse tipo de profissional? Ela é visível em termos de solicitação. Aponto exemplos: atualmente, o Ministério do Meio Ambiente tem um grande problema para que a população tenha acesso a informações. Por isso, a pasta criou o Programa de Educomunicação Socioambiental, que promove a produção de programas e campanhas educativas socioambientais, e está contratando pessoas especializadas para geri-lo. Já no Ministério da Educação há uma discussão sobre a reforma do ensino médio, e uma das propostas é aumentar o ensino em um ano, para que se desenvolvam práticas educomunicativas. Ou seja, vamos precisar de especialistas para essa faixa. E o terceiro setor também está se desenvolvendo. Então, não há dúvidas de que estamos diante de um crescimento. Ensino Superior - Qual pode ser o papel das instituições particulares no desenvolvimento desse novo campo? Acredito que o Brasil necessita neste momento de um investimento na formação de educomunicadores. As grandes mantenedoras deveriam estar discutindo mais esse tema. Em 1999 foi realizado um encontro em São Paulo, chamado Mídia e Educação. Uma das conclusões foi a de que as universidades que tivessem bons cursos de pedagogia e comunicação deveriam começar a pensar na formação do educomunicador. E as mantenedoras estavam presentes. Penso que chegou o momento novamente de elas refletirem o que significa entrar nesse novo nicho. Assim como as instituições particulares podem servir para atender a uma demanda na formação de novos profissionais, elas podem definir, em conjunto com o ministério e com as universidades públicas que já estão pesquisando o assunto, parâmetros sobre como avançar nesse campo de forma adequada. FONTE: http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=12578

Estudantes que usam irregularmente bolsas do ProUni podem ter que devolver dinheiro

FOLHA ON LINE - Estudantes que não atendem aos critérios de renda do Prouni (Programa Universidade para Todos), mas estudam em instituições particulares de ensino superior com bolsas do governo, podem responder civil e criminalmente pela infração, informou o ministro da Educação, Fernando Haddad. Reportagem exibida no domingo (2) pela TV Globo denunciou o uso irregular de bolsas do ProUni por alunos de medicina na Uningá (Universidade de Ensino Superior Ingá), no Paraná. Eles tinham renda superior à permitida pelo programa. De acordo com as regras, as bolsas integrais são reservadas a estudantes com renda familiar de até um salário mínimo e meio (R$ 697,50) por membro da família. As bolsas parciais podem ser pleiteadas por candidatos com renda familiar de até três salários mínimos (R$ 1.395) per capita. O ministro informou que o processo administrativo contra a instituição já foi instaurado. A universidade pode ser desligada do ProUni caso seja apurada a "conivência" com a irregularidade, além de responder civilmente pelo mau uso da bolsa. Caso o Ministério Público seja acionado, pode decidir também pelo processo penal. O mesmo vale para os alunos que podem ser obrigados a "ressarcir os cofres públicos", segundo Haddad. Haddad ressaltou que todas as instituições que oferecem bolsa do ProUni são obrigadas a manter uma comissão para fiscalizar o uso do benefício que deve contar com pelo menos um estudante bolsista. A regra vale desde a publicação de uma portaria em dezembro do ano passado. Qualquer denúncia deve ser feita a essa comissão que encaminhará o caso ao Ministério da Educação. FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u729849.shtml

Conselho nega pedido para dissidente da TFP criar faculdade

FOLHA ON LINE - O Conselho Nacional de Educação acendeu uma polêmica no meio acadêmico ao negar um pedido da Arautos do Evangelho --associação católica conservadora dissidente da TFP (Tradição, Família e Propriedade)-- para abrir uma faculdade com cursos de teologia e filosofia em Caieiras (SP). Embora afiançada por outras duas instâncias do Ministério da Educação, a proposta de criação da Faculdade Arautos do Evangelho, segundo o conselho, "não apresenta características acadêmicas" e tem caráter "confessional católico". Antes da negativa do CNE, a Sesu (Secretaria de Educação Superior) e o Inep (o instituto de pesquisas do MEC) haviam atribuído à faculdade conceito 4, numa escala de 0 a 5, nas avaliações de professores, instalações e organização pedagógica. No processo enviado ao ministério, a Arautos do Evangelho diz que "o Espírito Santo suscitou em suas almas o anseio de formarem uma instituição de cunho religioso com a finalidade de promover a santificação e a evangelização". Entre as metas a serem atingidas, a candidata a faculdade destacava: 1) a disseminação da doutrina cristã e da fé mariana (em Maria); 2) o amor à eucaristia; 3) a devoção ao papa. Para o CNE, a faculdade seria "um instrumento da evangelização" e não poderia ser "credenciada pelo poder público". A Arautos do Evangelho recorreu, dizendo haver violação da Constituição e que já existem universidades cristãs, como a PUC, cujo "curso de teologia é determinado pela fé". "A PUC pauta seus cursos por visões abrangentes e polivalentes, o que não acontece no projeto da Arautos", disse Paulo Speller, relator do conselho. "O problema deles não está nas instalações, está na proposta. Sugeri que apresentem uma nova proposta que seja mais abrangente e que não tenha um caráter catequético", afirmou. Um dos conselheiros que votaram contra a abertura da faculdade é Antonio Carlos Caruso Ronca, ex-reitor da PUC-SP. Para Milton Linhares, conselheiro que votou a favor da criação da faculdade, a decisão é "incoerente" e "conflitante com princípios constitucionais" porque anteriormente o órgão já havia aprovado a criação da Faculdade Messiânica. Em São Paulo já existe a Faculdade de Teologia Umbandista. Dos 24 membros do conselho, apenas um votou a favor. Procurado, o Colégio Arautos do Evangelho, que pediu a criação da faculdade, não respondeu ao pedido de entrevista. VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO FÁBIO TAKAHASHI da Reportagem Local FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u731016.shtml

PROUNI - Instituições de ensino superior devem aderir ao programa até 21 de maio

Quarta-feira, 05 de maio de 2010 - 15:09 - Instituições privadas de ensino superior interessadas em participar do processo seletivo do Programa Universidade para Todos (ProUni) referente ao segundo semestre de 2010 têm prazo de 5 a 21 de maio para emitir o termo de adesão ao programa. A emissão do termo de adesão (e também do termo aditivo, no caso de instituições que já participam do ProUni) é feita exclusivamente por meio do sistema SisProUni, disponível no Portal do Ministério da Educação. A adesão de novas instituições ao programa é precedida de consulta ao Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin). Por isso, antes de fazer a adesão, as instituições que ainda não participam do programa devem, até 10 de maio, efetuar registro específico no SisProUni. A portaria normativa nº 11, que define as normas de adesão ao ProUni para o processo seletivo do segundo semestre, foi publicada pelo Ministério de Educação nesta quarta-feira, 5, no Diário Oficial da União. O ProUni é um programa do governo federal que concede bolsas de estudo integrais e parciais em instituições não gratuitas de ensino superior. O programa realiza dois processos seletivos por ano: um para os candidatos às bolsas com ingresso no primeiro semestre, e outro para as bolsas com ingresso no segundo semestre. Desde o início do programa, em 2005, mais de 690 mil estudantes já ingressaram no ensino superior com bolsa do ProUni. Assessoria de Comunicação Social Acesse o sistema SisProUni. A portaria normativa nº 11, que define normas de adesão. FONTE: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15395