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Lei obriga presídios a instalarem salas de aula para atendimento educacional dos detentos

UOL - Foi publicada hoje (25) no Diário Oficial da União uma lei que altera a Lei de Execução Penal e obriga a instalação salas de aula nos presídios “destinadas a cursos do ensino básico e profissionalizante”. A legislação, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entra em vigor a partir da sua publicação. Em 2009, a Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Dhesca Brasil) publicou um relatório sobre o tema que apontava que menos de 20% da população carcerária tinham acesso a algum tipo de atividade escolar. O estudo alerta ainda que 70% dos detentos não possuem ensino fundamental completo e 8% são analfabetos. Segundo a pesquisa, a principal dificuldade para oferta do ensino em prisões está no fato de que o acesso a esse serviço é visto como “privilégio” e não como direito. No início deste ano, o CNE (Conselho Nacional de Educação) publicou as Diretrizes Nacionais para a Oferta de Educação nos Estabelecimentos Penais, que orienta e torna obrigatório o atendimento escolar a essa população. Sobre a infraestrutura, o documento do colegiado destaca que, com raras exceções, são espaços geralmente “improvisados e precários, sem qualquer organização especial”. Na avaliação do conselheiro Adeum Sauer, relator desse parecer, a aprovação da lei é “muito positiva” porque reforça as diretrizes aprovadas pelo CNE. “A Constituição estabelece o acesso à educação como um direito público subjetivo de todo cidadão, ela não diz se ele está na prisão ou em liberdade”, aponta Sauer. O conselheiro ressalta que a oferta desse serviço é de responsabilidade dos estados, já que são eles os responsáveis por administrar as unidades de detenção. “Uma lei como essa ajuda porque sempre tem mais força do que um parecer do conselho”, acredita. FONTE: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2010/05/25/lei-obriga-presidios-a-instalarem-salas-de-aula-para-atendimento-educacional-dos-detentos.jhtm

EDUCAÇÃO BÁSICA - Coleta de dados do Censo Escolar começa na quarta para todas as escolas

Sistema Educacenso, que coleta dados do Censo Escolar da Educação Básica, entrará no ar nesta quarta-feira, 26, e permanecerá disponível até 31 de agosto. Todas as escolas de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, inclusive de educação de jovens e adultos, deverão fornecer dados sobre alunos, professores, turmas e sobre a própria escola. Desde 2007 a coleta do censo da educação básica vem sendo feita pela internet, com o sistema Educacenso, que possibilitou precisão de dados. As informações deixaram de ser agregadas por escola e passaram a ser individualizadas. Dessa forma, ao invés de fornecer apenas o número de alunos matriculados, a escola começou a dar informações detalhadas sobre cada um de seus alunos: nome completo, data de nascimento, sexo, cor e raça, nomes dos pais, naturalidade, endereço residencial, necessidades de atendimento escolar diferenciado, utilização de transporte público, necessidades educacionais especiais e rendimento escolar do ano anterior. Da mesma forma são solicitadas informações sobre cada professor que esteja em regência de classe, sobre as turmas existentes e, ainda, detalhes sobre a escola, como infraestrutura, equipamentos, participação em programas como livro didático e alimentação escolar, dados educacionais como modalidades (regular, especial ou de jovens e adultos) e etapas (creche, pré-escola, fundamental, médio, profissional) oferecidas. Também são solicitadas informações sobre utilização de material didático específico para grupo étnico, sala de recursos, atendimento educacional especializado. Com a riqueza de dados coletados, compõe-se um quadro detalhado da educação básica nacional, que permite aos pesquisadores e órgãos de governo verificar tanto a situação atual quanto sua evolução, bem como os resultados de políticas implementadas. Os dados do censo escolar constituem a mais completa fonte de informações utilizadas pelo Ministério da Educação para a formulação de políticas e para o desenho de programas. É também a base para a definição de critérios para repasse – a escolas, estados e municípios – dos diversos tipos de recursos existentes. FONTE: Assessoria de Imprensa do INEP http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15489

PMDB quer cobrar mensalidade em universidade pública

O ESTADO DE SÃO PAULO - Principal aliado do PT na campanha de Dilma Rousseff à Presidência, o PMDB apresentará proposta para o programa de governo com pontos que colidem com o que os petistas pregam. No capítulo da educação, o PMDB aconselha Dilma a instituir "progressivamente" a cobrança de mensalidade nas universidades públicas federais, caso seja eleita presidente. O partido escalado para ocupar a vaga de vice na chapa acha que o governo deve cobrar prestação dos alunos "cuja renda familiar anual seja superior a 150 salários mínimos" - a referência corresponde hoje a R$ 76.500,00. "Essa proposta é inconstitucional", avaliou o jurista Dalmo de Abreu Dallari, ao destacar que o artigo 206, inciso IV da Constituição, garante a gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. Para Dallari, a sugestão é "puramente demagógica" e não tem futuro. "Trata-se de expressão de egoísmo e insensibilidade social", afirmou. Nas diretrizes do programa de Dilma, aprovado no 4.º Congresso do PT, em fevereiro, os petistas propõem exatamente o contrário. Diz o texto que, para ter educação de qualidade e constituir uma sociedade do conhecimento, será necessário "aprofundar o processo de expansão das universidades públicas". Desde 2003, o número de vagas nas universidades federais subiu de 113 mil para 228 mil, segundo o Ministério da Educação. O PMDB sabe que introduzir no debate eleitoral a cobrança de mensalidades para alunos que podem pagar é como mexer num vespeiro. Tenta, porém, ajustar o tom da proposta, que no passado foi cogitada sem sucesso pelo PSDB. A comissão que redige a plataforma a ser entregue a Dilma já produziu vários textos. Num deles, chegou a sugerir o "fim da gratuidade do ensino superior", sem nenhum parâmetro de renda familiar, mas a ideia foi vetada, sob a alegação de que a campanha de Dilma seria acusada de "privatista". A última versão do documento, intitulado Um caminho para o Brasil, encontrou a fórmula dos 150 salários mínimos após muitos cálculos. Mesmo assim, antevendo mais polêmica, o PMDB já cortou o trecho que propunha o fim das cotas raciais nas universidades. Encaixou, no entanto, um tópico que prevê o pagamento de uma poupança, na conclusão do ensino médio, para as crianças beneficiadas pelo Bolsa-Família. Choque de gestão. Para arrepio do PT e do governo, o programa do PMDB também bate na tecla do "verdadeiro choque de gestão" para reconstruir o Estado. Vendido como marca registrada dos tucanos, o termo "choque de gestão" é abominado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Cada vez que a gente contrata mais, há sempre pessoas que fazem duras críticas de que o Estado está inchando, que é preciso que tenha um choque de gestão no País, e vai por aí afora", lamentou Lula, durante cerimônia de sanção de um projeto de lei que cria varas da Justiça Federal, em agosto. "O que as pessoas não se dão conta é que, se tudo funcionar como um relógio, o custo do País será infinitamente menor." Depois de o PT pregar um Estado forte, o PMDB agora propõe metas para os servidores. Embalado pelo slogan do partido - Há muito Brasil pela frente -, o programa sustenta que é preciso "desenvolver as práticas de avaliação, de cobrança e de incentivo da qualidade do desempenho do Estado". Uma versão anterior, produzida pelo ex-ministro Mangabeira Unger, ignorava a vocação do PMDB de se manter no poder e disputar espaços no governo. O texto de Mangabeira descrevia "ilhas de profissionalismo administrativo no serviço público" flutuando em "oceano de discricionariedade política". Antídoto. Para ele, o antídoto era e ainda é "organizar as carreiras de Estado e colocá-las no lugar da grande maioria de cargos comissionados, de indicação política". Este trecho, porém, não consta da última redação. No capítulo dedicado à economia, o PMDB defende com todas as letras a manutenção da política de metas de inflação, câmbio flutuante e "compromisso com a responsabilidade e realismo fiscais". Detalhe: o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está na comissão responsável pelo programa de governo, que só deverá ficar pronto no final deste mês. Remunerar as contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) nos mesmos moldes da caderneta de poupança, "para desestimular o saque da conta, que ajuda a fazer a rotatividade do trabalho no Brasil", também integra a lista de propostas do PMDB. O Planalto é contra, pois argumenta que essa mudança interfere nos financiamentos habitacionais. A plataforma será apresentada na convenção nacional do PMDB, em 12 de junho. Este documento pode ser verificado no endereço eletrônico http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100523/not_imp555382,0.php

Apenas 56% das escolas oferecem acesso à internet

ÚLTIMO SEGUNDO - Dados sobre o Brasil foram divulgados nesta terça-feira pela União Internacional de Telecomunicações internet é acessada por um em cada quatro habitantes atualmente, o que representa mais do que o dobro da base de internautas registrada em 2003, informa o relatório da União Internacional de Telecomunicações (ITU na sigla em inglês) divulgado nesta terça-feira. O objetivo do estudo, que consolida dados de 2009, é acompanhar o progresso para a criação de uma sociedade global de informação até 2015. O compromisso foi firmado entre governos de todo o mundo durante a Conferência Mundial sobre a Sociedade da Informação realizada em Genebra, em 2003, e em Tunes, em 2005. O estudo divulgado durante a World Telecommunication Development Conference 2010 (WTDC-10), realizada esta semana na Índia, conclui que embora os países em desenvolvimento tenham progredido na criação de sociedades conectadas, ainda há muito trabalho a fazer para elevar o número de internautas. As três principais recomendações da ITU para estes governo são assegurar que metade da população global tenha acesso em banda larga até 2015, criar uma sociedade incluída digitalmente e desenvolver conteúdos e aplicações online. Embora mais de 25% da população global tenha acesso à rede, a TV ainda é predominante em 75% dos lares nos países em desenvolvimento. Já o índice de acesso residencial à internet é de apenas 12% nestas localidades. Na avaliação da ITU, em locais onde o acesso residencial é baixo é particularmente importante que os países invistam em acesso público à rede, incluindo acesso em bibliotecas, museus, postos de correio e cibercafés. No Butão, por exemplo, 40% das localidades possuem acesso público à web, o que resulta de um trabalho iniciado em 2003 pelo governo do país. No México, 40% das 7 mil bibliotecas públicas oferecem conexão para seus visitantes enquanto Brasil possui 5.232 bibliotecas com acesso à rede. Quando se trata de escolas com acesso à internet e alunos alfabetizados digitalmente, os resultados da pesquisa são diversos. Nos países em desenvolvimento há tanto escolas desconectadas como localidades que possuem 80% das instituições de ensino em rede, sendo 73% em banda larga, como é o caso da Jordânia. No Brasil, segundo a pesquisa, 56% das escolas estão conectadas à internet. O estudo também aponta a carência de conteúdos online em outros idiomas além do inglês, que é compreendido por apenas 15% da população global. A ITU destaca que a diversificação de conteúdos na internet vem crescendo com base nos registros locais de endereços web de países. Os nomes de domínio mais solicitados entre 2005 a 2009 estavam ligados aos emergentes Índia (.in), Rússia (.ru) e China (.cn). O relatório destaca o progresso da telefonia celular. Atualmente 90% da população global está coberta por redes de telefonia móvel, sendo que a cobertura está disponível para mais da metade dos moradores de áreas rurais, destaca o relatório. O uso de dispositivos móveis na área de saúde (M-health) é outro ponto levantado no estudo. A análise destaca que mais de 75% dos países pesquisados apostaram na mobilidade para este setor. Entre os exemplos estão iniciativas como o envio de mensagens de texto para dar suporte no tratamento de pacientes com Aids na África do Sul. FONTE: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/apenas+56+das+escolas+oferecem+acesso+a+internet/n1237635345845.html

INEP - Está no ar sistema de consulta sobre os referenciais para novo exame

que um professor de educação infantil e das séries iniciais do ensino fundamental deve saber no momento do ingresso na carreira do magistério? Quem tiver sugestões deve acessar a página eletrônica do Inep e responder à consulta pública colocada hoje no ar para subsidiar a construção da Matriz de Referência para o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. As colaborações devem ser feitas diretamente na Internet a partir de um sistema que lista 16 temas centrais, cada um com uma série de tópicos relacionados às habilidades a serem demonstradas pelos candidatos a professor. Essa lista de temas centrais – e seus tópicos – foi elaborada com base em critérios do que seria um bom professor, apontados pela experiência internacional. Os critérios são comuns a diversos sistemas educacionais com bons resultados e que definiram nacionalmente parâmetros para a docência, tais como: Austrália, Canadá, Cingapura, Chile, Cuba, Estados Unidos e Inglaterra. A consulta pública ficará no ar por 45 dias. Poderão participar indivíduos ou instituições. Após o término da coleta de sugestões, o Inep se encarregará de reunir sua equipe técnica com especialistas de cada área e elaborar uma matriz que norteará a elaboração de itens para o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. Esse é o primeiro passo para a concretização do Exame, uma prova para avaliação de candidatos ao ingresso no magistério, que terá sua primeira edição em 2011. O novo Exame será um serviço que o Inep/MEC prestará às redes municipais e estaduais de Educação para seleção de novos professores. Com ele, prefeituras não precisariam realizar sua própria prova de concurso público – o que é caro e exige expertise de órgão especializado – para contratação de novos professores, bastaria publicar um edital de concurso público e usar a nota do Exame como critério para seleção. A forma de utilização ficará totalmente a critério dos governos estaduais e municipais, que poderão decidir pela adesão ao Exame e utilizá-lo como critério único ou como uma das fases de seu concurso. Assessoria de Imprensa do Inep/ MEC Este documento pode ser verificado no endereço eletrônico http://www.inep.gov.br/imprensa/noticias/outras/news10_09.htm

Aventureiros do Enem

ESTADÃO - Meses depois de terem percorrido milhares de quilômetros atrás do sonhado curso superior, calouros das federais fazem balanço. Ter de se ambientar em uma cidade desconhecida, gastar a sola do sapato para achar um imóvel e enfrentar a solidão. Nada disso costuma impedir jovens de trilhar a vida acadêmica longe de casa. Mas este ano a chance de se matricular em universidades de todo o País usando a nota do Enem turbinou o número de estudantes que decidiu fazer as malas para estudar. Mesmo com os problemas graves registrados durante o cadastramento pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o resultado foi inédito. Segundo o MEC, do total de aprovados nas 51 instituições federais que adotaram o Enem – e ofereceram ao todo 47,9 mil vagas –, 25% deixaram seus Estados de origem. O Estadão.edu procurou, em todo o País, alunos que andaram milhares de quilômetros para cursar a faculdade. Passado o período conturbado da mudança, o balanço feito pela maioria desses estudantes é positivo. Confira abaixo as histórias. Brasília (DF)-Manaus (AM) Rio de Janeiro (RJ)-Manaus (AM) O brasiliense Adriano Silva, de 29 anos, que já vagou pelas ruas e morou num albergue de Manaus.Adriano já tinha trabalhado como missionário da Igreja Católica na Região Norte em 2007. Passou um ano visitando de barco comunidades ribeirinhas. “Queria ter a chance de conhecer melhor a Amazônia.” Por isso, quando passou em Engenharia Florestal na Federal do Amazonas, não pensou duas vezes antes de pedir as contas numa empresa de telecomunicações e seguir para Manaus. “Quando fiz a matrícula, a atendente perguntou sobre a residência. Disse: ‘Moça, acabei de chegar de Brasília, não conheço nada aqui.’ Ela respondeu: ‘Então você vai morar na floresta amazônica mesmo’.” O universitário alugou quarto numa pousada. Até que o dinheiro da rescisão acabou e ele ficou na rua. Adriano procurou um albergue, mas ele estava lotado de haitianos refugiados do terremoto. No segundo albergue, conseguiu vaga, mas o medo de pegar alguma doença – Adriano diz que ratazanas roçavam seu braço à noite – fez com que procurasse ajuda na universidade. Descobriu uma moradia para alunos carentes, a Casa do Estudante, onde vive hoje. “Nunca duvidei de que tudo daria certo”, brinca. “E compensou, o curso é bem versátil. Você estuda várias áreas: matemática, química do solo. Não penso em voltar para Brasília. Aqui precisa de mão de obra, é uma cidade em crescimento.” Caloura como Silva e carioca de nascimento como os pais, Raissa Alcântara, de 19 anos, filha de pai militar, não conhecia Manaus, mas queria fazer engenharia florestal. Ela se diz sortuda por seu pai ter sido transferido há um ano para a capital. “Já moramos em vários lugares, mas um ano atrás, meu pai foi transferido para Manaus e já comemorei. Fiquei um ano morando com minha tia no Rio para acabar a escola e passei no vestibular por conta do Enem”, diz. Raissa já avisou ao pai militar que, se ele for transferido, ela vai ficar na cidade para concluir o curso. “E quem sabe viver aqui, com esse laboratório todo ao redor creio que não vai faltar trabalho”. “Meus amigos no Rio tinham preconceito sem conhecer a cidade, dizendo que aqui não teria nada para fazer, mas tem sim e nem estou sentido falta da praia. Como está todo mundo começando o mesmo curso, todo mundo se ajuda, convida para festas”, diz Raissa. Salvador (BA)-Brasília (DF) César Costa Carvalho, 19 anos, é filho único de uma família de classe média baixa do bairro popular de Cajazeiras, em Salvador. Nem o fato de o curso de Relações Internacionais inexistir na Universidade Federal da Bahia (Ufba) o fez desistir do seu objetivo, que é se formar em Relações Internacionais.Segundo ele, os pais estão se virando como podem para mantê-lo. O gasto médio passa de R$ 1 mil. “Reconheço que fica muito caro para eles, mas vou saber recompensá-los por esse investimento”, promete. Enquanto cursava o último ano do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) na capital baiana, se inscreveu no Enem, focando uma vaga na Universidade de Brasília (UnB). Obteve nota suficiente, mas esbarrou no número limitado para cotista. “Sei que estou entre os dez, não sei exatamente qual a minha classificação”, diz. Sem desanimar, Carvalho conseguiu uma vaga na Universidade Católica, em Brasília. Submeteu-se a uma prova de seleção para obtenção de bolsa de estudo e conquistou uma das duas integrais oferecidas pela universidade. Ele não desistiu de ser chamado pela UnB mas, paralelo ao curso na UCB, frequenta um pré-vestibular para prestar um novo exame na universidade federal. “Os primeiros dias foram muito difíceis. Sem conhecer ninguém, numa cidade completamente diferente da minha em tudo, até no clima. O modo de viver das pessoas em Brasília é muito diferente, são mais frios, mais individualistas. Ainda sinto muita falta de tudo na Bahia, embora já tenha feito amizade com alguns colegas de faculdade”, desabafa César, que nem pensa em voltar. Morando num pensionato, ele enfrenta uma longa jornada de ônibus ou metrô, até a cidade satélite de Taguatinga, para frequentar a universidade. Está na quarta moradia desde que chegou a Brasília, há quatro meses. “Não me ambientei nas duas primeiras repúblicas e meu pai, quando veio me visitar, achou a terceira muito apertada, mal cabia uma cama. Agora, encontrei um local mais espaçoso, onde também oferecem alimentação e lavagem da roupa, ficou bem melhor.” “Adorando o curso”, ele diz que a maior dificuldade sem sombra de dúvidas é a saudade da família driblada com ligações telefônicas diárias. Ele e os pais escolheram um plano de serviço oferecido por uma operadora de telefonia móvel com direito a ligar gratuitamente para determinados números. Outra dificuldade é a falta de lazer, lhe faltam tempo e dinheiro para tanto. "Mas, eu vim para Brasília com o objetivo de estudar e tenho me dedicado a isso. As aulas no cursinho incluem os finais de semana, não sobra tempo, mesmo", conforma-se e conclui: "É o objetivo de minha vida, por isso tudo já está valendo à pena". Belém (PA)-São Paulo (SP) Nascido em Belém, Felipe cursa licenciatura em Ciências na Unifesp, em Diadema, ABC paulista. Além dos desafios enfrentados por qualquer calouro, esbarrou em outros. Nunca tinha saído do Pará. Aliás, nunca tinha andado de metrô. “Foi como saltar num poço de areia movediça. É como se eu tivesse 3 meses de idade, começando tudo de novo.” Na decisão de se mudar, pesou o status da Unifesp. “Quando vi que a nota no Enem era boa, percebi que dava para fazer qualquer coisa na Unifesp. Optei pela licenciatura porque gosto dessa história de ser professor.” Uma tia que mora em São Paulo o encorajou a se mudar. Hoje, ele mora no bairro Parque Boturuçu, zona leste da capital.“Vi mesmo a cara de São Paulo quando fui à Avenida Paulista. Fiquei abestalhado.” Mais ambientado, Felipe ainda estranha o excesso de gírias do vocabulário dos colegas paulistanos.“Talvez eu seja muito valorizador da cultura antiga.” Do curso, Felipe não se queixa, embora esteja achando puxado. “Todo mundo acha licenciatura fácil. Não é.” As aulas vão de segunda a sábado. “Às vezes até dá vontade de largar o curso, por causa da família, dos amigos. Mas acabo ficando, porque essa experiência vale a pena.” Teresina (PI)-Bagé (RS) Belo Horizonte (MG)-Bagé (RS) Ao chegar a Bagé (RS), à meia-noite, o calouro de Engenharia de Energias Renováveis e Ambiente da Federal do Pampa (Unipampa) Auridian Fernandes de Souza, de 25 anos, dormiu no banco da rodoviária. Piauiense, lá conheceu dois estudantes, forasteiros como ele, que o levaram para uma pensão. Tempos depois, conseguiu alugar com três colegas um apartamento. Como os quatro não têm dinheiro para equipá-la, a república é improvisada: eles dormem no chão, tomam banho frio e não têm geladeira, fogão ou guarda-roupa.Os apertos de Auridian começaram ainda em Teresina. Sem dinheiro nem para pagar a passagem aérea, juntou R$ 300 vendendo rifas de cestas de chocolate. “Por causa da correria do início, não consegui manter o foco nas aulas”, diz, preocupado com as notas. A situação melhorou com a Bolsa Instalação, ajuda em cota única de R$ 300 dada pela Unipampa ao aluno que comprovar vulnerabilidade socioeconômica e tiver saído de cidades a mais de 500 quilômetros de distância. "Agora vou poder estudar em paz.” O mineiro de Belo Horizonte Marcos Vieira, de 24 anos, é colega de república de Auridian. Filho de um eletricista e uma faxineira, também desembarcou em Bagé com pouco dinheiro no bolso depois de conseguir vaga no curso de Letras da Unipampa. “Aqui falta transporte e os aluguéis são caros.” A demanda por imóveis cresceu bastante não só por causa da chegada de estudantes, mas também de técnicos e operários que participam da construção de uma termoelétrica. São Luís (MA)-Curitiba (PR) Para o goiano Saulo Penha, de 18 anos, a maior dificuldade não é a falta de dinheiro, mas o clima. Depois de morar por sete anos em São Luís (MA), onde as temperaturas superam facilmente os 30 graus, Saulo estranhou o outono gelado de Curitiba. Os termômetros já marcaram 7,4 graus e podem cair abaixo de zero no inverno. "Sinto falta da praia.” Matriculado em Engenharia Civil na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Saulo já tinha morado em outras cidades, mas sempre com os pais. A distância de mais de 3 mil quilômetros é compensada apenas pelos telefonemas quase diários para a família. “Morar longe é bem complicado. Nunca tinha nem tentado lavar roupa antes.” O pai, engenheiro civil que trabalha atualmente em Angola, aproveitou as férias em março para acompanhar o filho até Curitiba e o ajudou a alugar um apartamento. Apesar das dificuldades, Saulo não se arrepende de ter optado pela UTFPR. “A faculdade é melhor e dá mais oportunidades.” São Bernardo (SP)-Ouro Preto (MG) Pouso Alegre (MG)-São Paulo (SP) Bruna Silva, de 19 anos, e Damaris Cristina Peixoto, de 18 anos, fizeram caminhos inversos. Bruna deixou São Bernardo, no ABC, para estudar na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). “Se eu fosse de Belo Horizonte, poderia ir para casa todo fim de semana”, lamenta. Só dá para a estudante de Filosofia ir para casa nas férias ou em feriados prolongados. Apesar da saudade, todo o resto, diz Bruna, é vantagem. “A gente conhece outro Estado, uma cultura diferente e amadurece rápido.” Mineira de Pouso Alegre, Damaris faz Ciência e Tecnologia na Federal do ABC, em São Bernardo, onde mora com uma irmã. Mas isso não significa que a vida tem sido fácil. “Quem mora aqui não percebe como é difícil conhecer tudo. É uma correria, vários ônibus que vão e vêm para muitos lugares. Na minha cidade era só uma referência, a avenida principal.” Um dos fatores que prejudicam a adaptação de Damaris é o fato de ela não ter planejado estudar longe de casa. “Não estava me preparando para o vestibular, não me preocupava muito. Quando saiu o resultado, vi que a nota era boa e fui descobrir o Sisu.” Comercinho (MG)-Garanhuns (PE) Djeiel Ferreira França, de 18 anos, viveu uma situação parecida. Quando prestou o Enem para Engenharia de Alimentos, ele não imaginava que trocaria sua cidade, Comercinho (MG), município com menos de 10 mil habitantes, por Garanhuns, terra do presidente Lula, no agreste pernambucano. A média de Djeiel no exame não foi suficiente para garantir uma vaga nas federais mineiras de Lavras ou Viçosa. Entrou na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) após um remanejamento. Só então foi pesquisar algo na web sobre a universidade e Garanhuns, que, com 130 mil habitantes, é bem maior que Comercinho. Djeiel já tinha estudado fora, fez o curso técnico de Agroindústria em Salinas (MG). Na época, porém, via a família todo fim de semana. “Nunca tinha morado sozinho. Ainda é um choque.” Ele vive num quarto simples de hotel, enquanto disputa vaga na residência da federal. Come em restaurantes populares, em regime de total economia – o pai está desempregado e a mãe, professora, banca as despesas. Sobre o curso, de cinco anos de duração, o mineiro afirma que há muito a melhorar. “Tem pouca aula prática. Mas valeu a pena a mudança”, diz Djeiel, que aguarda ansioso o mês que vem para conhecer o forró, violeiros e repentistas de Garanhuns nas festas de São João. “Não vou perder esta oportunidade por nada no mundo.” ÂNGELA LACERDA, CAROLINA STANISCI, ELIANA DE LIMA, ELDER OGLIARI, EVANDRO FADEL, IVANA MOREIRA, LIÈGE ALUQUERQUE E PAULO SALDAÑA Este documento pode ser verificado no endereço eletrônico http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,aventureiros-do-enem,556168,0.htm

Universidades participam de plano contra drogas, lançado pelo governo

PORTAL MEC - Cinco universidades federais oferecerão cursos de especialização e mestrado profissionalizante em gestão do tratamento de usuários de drogas, para profissionais que atuam na rede de atenção à saúde e proteção social. A ação faz parte do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, lançado nesta quinta-feira, 20, por meio de decreto assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Os cursos têm o objetivo de garantir a sustentabilidade do plano, que reúne ações de prevenção, tratamento e reinserção social do usuário do crack e de outras drogas. “As ações federais que compõem o plano já existem. Agora, serão integradas e potencializadas”, explicou a ministra chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. Serão capacitados cerca de 100 mil profissionais em dez diferentes cursos, na modalidade de educação a distância, com foco na prevenção do uso de crack. Haverá, também, cursos presenciais específicos para profissionais de saúde e da assistência social. Também serão criados seis centros colaboradores nos Hospitais Universitários, para a assistência a usuários de drogas, com a finalidade de desenvolver pesquisas e metodologias de tratamento e reinserção social. As unidades terão apoio de centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-AD) e de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) para dependentes de crack, que oferecem vagas pra tratamento em regime ambulatorial e de internação. No âmbito da educação básica, haverá capacitação de professores, para que possam ter condições de lidar com o tema dentro das escolas. Além disso, serão distribuídas bolsas de iniciação científica júnior para alunos do ensino médio, com o intuito de incentivá-los a participar de projetos comunitários de prevenção ao uso de drogas. O plano de enfrentamento ao crack e outras drogas é composto de ações de aplicação imediata e ações estruturantes. Os investimentos previstos em ações de saúde, assistência e repressão ao tráfico são de R$ 400 milhões em 2010. Dentre as ações imediatas, destacam-se aquelas voltadas para o enfrentamento ao tráfico em todo o território nacional, principalmente nos municípios localizados em região de fronteira, e a realização de uma campanha permanente de mobilização nacional para engajamento ao plano. As ações estruturantes se organizam em torno dos seguintes eixos: integração de ações de prevenção, tratamento e reinserção social; diagnóstico da situação sobre o consumo do crack e suas consequências; campanha permanente de mobilização, informação e orientação, e formação de recursos humanos e desenvolvimento de metodologias. O plano tem coordenação conjunta da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad), do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e do Ministério da Justiça, por meio da secretaria executiva do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). A política pública também conta com a participação de diversos ministérios, do Conselho Nacional de Justiça, dos estados e municípios e de organizações da sociedade civil. Assessoria de Comunicação Social Este documento pode ser verificado no endereço eletrônico http://www.ilape.edu.br/painel/noti/cadastro.php